Sábado, 25 de agosto de 2007
Para os meus alunos, isso não é novidade. Já venho fazendo o mesmo há algum tempo. Sem modéstia! (rs) Hoje, o caderno Cotidiano da Folha paulista publica matéria.
Escolas adotam games e blogs nas aulas
Para melhorar a aprendizagem dos estudantes, colégios de SP aliam internet e jogos ao conhecimento dado em classe
A maioria das atividades e projetos interativos produzidos pelos alunos faz com que eles pesquisem e se interessem por novos temas
DANIELA TÓFOLI
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL
A batalha de professores e pais contra o videogame e a internet ganhou uma trégua: colégios particulares de São Paulo começam a adotar ferramentas como blogs e jogos de última geração para melhorar a aprendizagem dos alunos.
O colégio Santa Maria, que fica na zona sul da cidade, por exemplo, agora tem um laboratório para que os estudantes criem os seus próprios games.
A idéia é simples. Já que os jovens gostam tanto de videogame, nada melhor do que escolherem eles mesmos a história, os personagens e os desafios do jogo. O que não é simples é fazer o game funcionar.
"Para isso, eles precisam usar história, geografia, física, biologia, geometria e educação artística. Sem perceber, aplicam na prática o que aprenderam na aula", diz o coordenador do grupo de pesquisa e desenvolvimento de jogos eletrônicos da escola, Muriel Vieira Rubens.
Aluno do nono ano do fundamental, Yuri Rodrigues, 14, pensou que seu trabalho seria bem mais fácil.
Com dois colegas, está desenvolvendo um game sobre a questão nuclear do Irã. O objetivo dos jogadores será impedir a Terceira Guerra Mundial no mundo virtual.
Para começar, o trio teve de ler sobre a atual situação iraniana, desvendar os significados da energia nuclear, desenhar os personagens com conceitos de geometria e aplicar fórmulas de física, como a da velocidade, para que os personagens corram. "Tem hora que é complicado, mas estou gostando. Não vejo a hora de ficar pronto", diz o garoto.
O projeto começou neste ano e, por enquanto, só os alunos que tiram boas notas podem participar da atividade.
Notas e pesquisas
Já no colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida, na zona sul, os alunos dependem de uma ferramenta interativa para ter boas notas. Por meio de um sistema chamado webquest, os alunos fazem pesquisas em vídeos e materiais gráficos. E utilizam o programa para apresentar seus trabalhos.
Os alunos da oitava série, por exemplo, foram divididos em grupos de cinco, e cada conjunto tem a missão de apresentar a melhor fonte de energia (elétrica, eólica, nuclear, entre outras) para uma cidade fictícia.
No final, precisarão apresentar relatórios com fundamentos econômicos, ambientais e tecnológicos para a opção, além de um jornal, que informaria a população sobre o tema.
A atividade começou neste mês e vale metade da nota do trimestre dos alunos, em ciências. "Buscamos um ambiente confortável para eles. A idéia é acompanhar essa geração de blog, do YouTube", diz o coordenador de tecnologia educacional, Fabiano Gonçalves.
Pela ferramenta, os professores conseguem monitorar quanto tempo cada aluno pesquisou e o que fez no grupo.
No colégio Ítaca, na zona oeste, a intenção é utilizar a internet para melhorar a integração entre os alunos. Por meio de blogs, alunos do sexto ao nono ano trocam informações sobre as pesquisas feitas. Cada grupo deverá apresentar um trabalho sobre o Brasil entre guerras.
"A idéia da atividade começou no ano passado, mas vimos que a comunicação entre alunos de diferentes anos não foi tão boa. Por isso, neste ano, adotamos os blogs", relata o coordenador-pedagógico da escola, Flávio Cidade.
No Santo Américo, zona sul, os alunos têm o conteúdo dado pelos professores na intranet do colégio. Há também um tira-dúvidas online, exercícios de reforço pela internet que valem nota e por todo o colégio há rede wi-fi para que laptops e celulares com internet sejam usados de qualquer lugar.
Já no Pio XII, na zona oeste, o conteúdo passado nas lousas digitais pode ser revisto pelos alunos via internet. O sistema foi adotada neste ano na escola.
Para educadores, idéia é positiva, mas há ressalvas
DA REPORTAGEM LOCAL
Educadores consultados pela reportagem afirmam ser positiva a idéia das escolas de adotar novas tecnologias -como blogs e jogos de última geração- para o aprendizado dos alunos. Eles, porém, fazem algumas ressalvas a essa estratégia.
"Se não houver um bom acompanhamento do professor, o tempo utilizado nessas ferramentas poderá ser perdido", afirma a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Maria Irene Maluf.
A pedagoga afirma que a principal característica que indica a qualidade da escola é a formação dos seus professores -e não as tecnologias adotadas para o ensino.
Já o professor da Faculdade de Educação da Unicamp Sergio Amaral afirma que as novas ferramentas só têm eficácia se estiverem bem integradas com a proposta didática da instituição.
"A tecnologia não pode ser reduzida à simples utilização instrumental. Senão, fica apenas uma atividade lúdica, sem relação com o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem", afirma.
Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, destaca uma outra questão importante a ser considerada nessa discussão: o corretor ortográfico dos programas de computador.
"Quem faz texto no Word, por exemplo, tem tudo corrigido automaticamente." Dessa forma, diz ela, o estudante deixa de prestar atenção em regras básicas da ortografia. "A solução é que as escolas peçam alguns trabalhos escritos à mão, pelo menos nas séries iniciais", afirma Andréa.
Apesar dessa ressalva, a psicóloga é a favor da inclusão das novas tecnologias na sala de aula.
"Não dá mais para escapar do Google, do Orkut, dos games. O desafio é não estacionar e saber tirar proveito disso." (DT e FT)
Postado por pc guimarães às 10:11
Psicóloga, Professora e Pesquisadora da Interface Ser Humano, Tecnologia, Informação e Comunicação da PUC/SP desde 2005. Compõe a equipe do Janus - Laboratório de Estudos da Psicologia, Tecnologia, Informação e Comunicação da PUC-SP. Leciona, pesquisa e palestra sobre o que vem acontecendo com o ser humano, as mídias tradicionais, a sociedade e as ferramentas tecnológicas contemporâneas, como a internet, sites de relacionamento, redes sociais, comunicadores instantâneos entre outros.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Características e Impactos do uso compulsivo da Internet
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Projeto de Pesquisa para
Disciplina Resolução de Problemas II
Características e Impactos do uso compulsivo da Internet
Luiz Arthur Almeida de Freitas
Michel Perassi Melo
Rafael Chies da Silva
Roberto Masao Sato
Tiago Marques Machado
Tutor (a): Profa. Dra. Rosana Retsos S. Vargas
São Paulo, 2007
Projeto de Pesquisa apresentado para professores e alunos da turma 44 do 2° semestre de 2007 – Ciclo Básico para a conclusão da disciplina Resolução de Problemas II.
“Alguns qualificam o espaço cibernético como
um novo mundo, um mundo virtual, mas não podemos
nos equivocar. Não há dois mundos diferentes,
um real e outro virtual, mas apenas um, no qual
se devem aplicar e respeitar os mesmos valores
de liberdade e dignidade da pessoa”.
- Jacques Chirac
Sumário
1. Resumo................................................................. 05
2. Introdução e Justificativa................................................................. 06
3.Objetivos.................................................................... 08
4. Materiais e Métodos........................................................................ 09
5. Mudanças no Projeto....................................................................... 10
6. Resultados e Discussões................................................................ 11
6.1. Critérios de Diagnósticos................................................ 12
6.2. Formas de Tratamento...................................................... 13
6.3. O Problema no Brasil............................................................. 14
7. Considerações Finais...................................................................... 16
8. Referências Bibliográficas............................................................... 17
1. Resumo
As facilidades e oportunidades trazidas pela internet possibilitaram sua rápida difusão, tornando-se em pouco tempo um dos principais meios de comunicação. Estima-se que exista hoje, no mundo, mais de um bilhão de pessoas com acesso a internet, que a utilizam com as mais diversas finalidades. Com o aumento no número de internautas, o número de pessoas que fazem uso compulsivo da internet passou a chamar atenção em todo o mundo. O usuário dependente da internet é aquele que causa danos a sua vida social, familiar ou profissional devido ao uso excessivo da internet. O fato é que essa dependência de internet existe e em alguns países já tem alcançado níveis preocupantes. O objetivo desta pesquisa é estudar a compulsão a Internet, verificando as características da doença, conseqüências, e possíveis causas para o início de um hábito exagerado e vicioso no qual vive o dependente da Internet.
2. Introdução e Justificativa
As facilidades e oportunidades trazidas pela internet possibilitaram sua rápida difusão, tornando-se em pouco tempo um dos principais meios de comunicação e, por conseqüência, de diversão, lazer, informação, trabalho, pesquisa, etc. Estima-se que exista hoje, no mundo, mais de um bilhão de pessoas com acesso a internet, que a utilizam com as mais diversas finalidades. A tendência é que este número aumente a cada dia, assim como o número de vantagens oferecidas pela internet.
No entanto, esta rede mundial de computadores não está livre de perigos e desvantagens, que, assim como as vantagens, podem ser percebidas em diversas formas e áreas, tendendo a aumentar cada vez mais, como o uso excessivo da internet.
Desde que a internet começou a ser difundida, surgiram os primeiros estudos sobre os perigos da sua utilização em excesso, sendo Goldberg (1995) supostamente o primeiro a utilizar o termo "dependência de internet" e a propor a sua classificação como patologia.
Outros estudos mais aprofundados surgiram em seguida, como do da psiquiatra Kimberly Young (1996), que comparou a dependência de internet a outros vícios conhecidos e traçou o perfil dos usuários dependentes, utilizado com base de estudos posteriores. Outros pesquisadores divulgaram seus estudos, muitos divergentes dos existentes, porém, a maioria concordou que o Transtorno de Adicção a Internet (TAI) ou Uso Patológico da Internet (UPI), mal catalogado pela Associação Americana de psicologia como PIU (Pathological Internet Use), não depende exclusivamente do número de horas conectadas à rede e que os prejuízos à vida emocional do usuário é a característica determinante para a patologia, ou seja, pode-se considerar dependente de internet apenas o indivíduo que causa danos a sua vida social, familiar ou profissional devido ao uso excessivo da internet.
Entretanto, identificar quando uma pessoa passa de usuário assíduo a compulsivo não é uma tarefa simples, pois a internet é utilizada com diversos objetivos, sendo difícil separar aqueles que são realmente dependentes da internet dos que a usam para trabalho, lazer ou para obter informações. Muitas pessoas perdem o emprego, se afastam da família ou do convívio social e sequer se dão conta que esses fatos são conseqüências de seu vício.
O fato é que essa dependência de internet existe e em alguns países já tem alcançado níveis preocupantes. Uma pesquisa da Universidade de Stanford (2006) afirma que um a cada oito norte-americanos são viciados em internet. Além disso, a pesquisa advertiu que embora os serviços da internet que mais causam a dependência sejam os sites de pornografia e apostas on-line, os problemas podem surgir em atos aparentemente inofensivos, como checar o e-mail a cada cinco minutos, atualizar blogs ou acessar sites de informações financeiras para verificar o preço das ações.
Esta conclusão da pesquisa de Stanford, também colocada antes por Kimberly Young em seu site de tratamento aos dependentes, derruba as teorias anteriores de que os viciados em internet seriam em sua maioria pessoas já com algum distúrbio psicológico, apenas acentuado pela internet.
Outros países iniciaram também pesquisas e estudos sobre o vício de internet, como Suíça, China e Brasil, porém nenhum outro país se aprofundou tanto no assunto como os EUA.
3. Objetivos
Atualmente a grande gama de estudos sobre o uso patológico da internet foi realizada pelos pesquisadores norte-americanos e grande parte dos estudos realizados em outros países utilizou como base os estudos americanos. No Brasil os estudos sobre a compulsão ainda são recentes, das entidades que estudam a patologia destaca-se a AMITI (Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso), pertencente ao Instituto de Psiquiatra do Hospital das Clínicas, iniciou estudos independentes baseados em dados próprios, retirados de pesquisas com voluntários que apresentam características do vício em questão; o PROAD (Programa de Orientação e Atendimento aos Dependentes) da UNIFESP é um dos pioneiros, no Brasil, em relação ao atendimento e estudo dos dependentes de Internet; O NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática), pertencente a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
O objetivo desta pesquisa é estudar a compulsão a Internet, verificando as características da doença, conseqüências, e possíveis causas para o início de um hábito exagerado e vicioso no qual vive o dependente da Internet.
Dessa forma, será possível verificar se a compulsão a Internet pode ser considerada preocupante e se necessita de maior atenção e prevenção para que com o passar dos anos a quantidade de dependentes não aumente.
Além disso, esta pesquisa visa trazer informação e orientação, com base em dados concretos e próximos de nossa realidade, visto que as informações disponíveis na internet sobre este problema são na maioria contraditórias.
4. Materiais e Métodos
O método utilizado neste projeto foi a pesquisa aprofundada sobre o tema abordado, objetivando informações suficientes para compreender os efeitos psíquicos causados pelo uso excessivo da Internet. Procuramos obter, com a pesquisa em livros, Internet, artigos científicos e trabalhos acadêmicos, informações quantitativas e qualitativas sobre a compulsão e seus dependentes.
O contato com as instituições de tratamento aos dependentes (AMITI e PROAD), conforme proposto no Projeto de Pesquisa, mostrou-se lento e difícil como alertado pelos tutores durante a apresentação. O maior progresso foi realizado no contato com o AMITI, onde a pessoa responsável pelas relações públicas da instituição nos forneceu um guia de elaboração do documento de solicitação de entrevista com um dos profissionais do AMITI e/ou visita a um setor do ambulatório. Porém, não foi possível concluir o contato e realizar a entrevista dentro do tempo disponível. Apesar disso, as mudanças realizadas foram satisfatórias para solucionar os problemas encontrados no decorrer do projeto.
5. Mudanças no projeto
O projeto inicialmente tinha como objetivo analisar não só a compulsão a Internet, mas também os usuários. Foi proposta a comparação entre o perfil dos usuários norte-americanos e o perfil dos brasileiros, mas essa idéia foi descartada, pois esse tipo de comparação seria muito ambiciosa para o tempo de realização do Projeto.
Pelo fato do problema ainda ser pouco pesquisado no Brasil, não foi possível traçarmos o perfil do usuário brasileiro, principalmente porque, nos poucos estudos sobre a compulsão a internet no Brasil, há algumas divergências com relação às características dos usuários, outro fator que fez com que o trabalho fosse direcionado apenas ao problema em si. Além disso, alguns pesquisadores defendem que não existe um perfil de usuários dependentes.
6. Resultados e Discussões
6.1. Critérios de Diagnósticos
De acordo com a Dra. Kimberly Young, se forem detectados ao menos 5 dos 8 critérios abaixo, existem fortes indícios de dependência.
1- Preocupação com Internet, sobre o uso anterior ou o próximo uso.
2- Necessidade de usar a Internet durante cada vez mais tempo.
3- Tentativas frustradas de controlar, reduzir ou parar o uso de Internet.
4- Inquietação, mal-humor, depressão ou irritação ao tentar reduzir ou parar com o uso de Internet.
5- Conexões mais longas que o planejado originalmente.
6- Perda de alguma relação significativa, como o trabalho, a educação ou oportunidades sociais, devido ao uso excessivo da internet.
7 - Uso de mentiras para ocultar dos membros da família, terapeutas ou outros o tempo de permanência na Internet.
8 - Uso da Internet para fugir dos problemas ou de ocultar algum tipo de mal estar, como sentimentos de impotência, culpa, ansiedade, depressão, etc.
6.2. Formas de Tratamento
Existem basicamente duas formas de tratamento: presencial e à distância. O tratamento à distância, paradoxalmente feito através da própria internet via e-mail é utilizado principalmente como forma de orientação e triagem, podendo verificar se o paciente possui de fato o problema que acredita ter. Apesar de parecer contraditório, essa forma de tratamento é comum e não atrapalha na recuperação do paciente, visto que, para psiquiatras não é preciso deixar de usar a internet para obter a cura.
O principal centro de tratamento do mundo, criado por Kimberly Young, oferece tratamento completo também pela internet. Existem poucos lugares que oferecem o tratamento presencial específico para esse distúrbio e muitos deles são pagos. No Brasil existem três instituições que tratam e estudam esse distúrbio: o PROAD, da UNIFESP; o AMITI, do HC-USP e o NPPI, da PUC-SP.
Apesar do problema ainda ser recente no Brasil, outros paises já tem, em seu governo, planos de tratamento de seus pacientes. Em nossa pesquisa pudemos verificar algumas dessas formas de tratamento, que variavam das tradicionais até formas peculiares de lidar com o problema.
Exemplo disso pode ser encontrado na Coréia, país onde 90% das casas têm banda larga. O governo cobre os gastos de tratamento para grupos com até 18 jovens que passam 12 dias no acampamento “Jump Up Internet Rescue School” para se livrar do vício em Internet.
Situados em uma área florestal, à uma hora de Seul, o programa se assemelha a outros tratamentos aplicados a jovens. Instrutores os conduzem por circuitos com obstáculos no estilo exército, os acampantes passam por sessões de terapia em grupo e executam atividades relacionadas à poesia e à música. Proibidos de usar a Internet nesse período espera-se que eles construam conexões emocionais com o mundo real e enfraqueçam os elos com o mundo virtual. “É muito importante oferecer a esses jovens a experiência de um estilo de vida sem a internet. Os jovens sul-coreanos não sabem o que é isso”, afirmou Lee Yun-hee, profissional envolvida no programa.
6.3. O Problema no Brasil
Estudos divulgados pelo Ibope//NetRatings em setembro deste ano indicam que o Brasil chegou a 19,3 milhões de usuários da internet. O aumento de cerca de 40% no número de brasileiros que possuem internet em casa, em relação ao ano de 2006, e a média mensal de 23 horas e 28 minutos de conexão garantiram ao Brasil a permanência no primeiro lugar no ranking de usuários domésticos.
As pesquisas mostram que a internet se expande rapidamente no Brasil, atingindo índices consideráveis como o de usuários domésticos. Esses dados reafirmam a necessidade de melhores estudos sobre o uso que é feito desse serviço, principalmente sobre o compulsivo.
Atualmente no Brasil existem três instituições que se destacam nos estudos sobre o tema e na oferta de tratamento aos dependentes: o AMITI, o PROAD e o NPPI.
Segundo o Professor e Dr. Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Projeto Dependentes de Internet do AMITI, o grupo de dependentes formado por seu projeto foi um dos primeiros no mundo.
O grupo formado por 15 voluntários de 18 a 73 anos, previamente diagnosticados como usuários compulsivos, foi submetido á análise cognitiva por um período de 18 semanas. Os resultados obtidos no primeiro grupo já foram suficientes para contrariar a teoria, defendida na literatura mundial, de que navegar na internet durante várias horas seria um distúrbio de jovens estudantes. As informações divulgadas mostraram que o uso compulsivo da internet pode afetar pessoas de qualquer idade, sexo, nível cultural ou classe social. Essa constatação é importante, pois demonstra quão amplo é o campo de atuação desse distúrbio e desmistifica o perfil de jovem tímido que se refugia na internet.
“Fiquei surpreso com os resultados. Apesar do grupo ser pequeno, ele vai contra as estatísticas americanas que servem de base para o mundo inteiro”, disse o Dr. Cristiano Nabuco. O AMITI iniciou a formação de um novo grupo e também oferece orientação aos interessados.
O PROAD é um dos pioneiros no tratamento aos dependentes de internet no Brasil e oferece tratamento presencial, além de orientação por telefone.
O NPPI oferece uma forma alternativa de tratamento, realizado via e-mail, para garantir o anonimato dos usuários e deixa-los em situação mais confortável para pedir ajuda. Inicialmente são trocados cerca de oito e-mails com os pacientes, afim de verificar se existe de fato o distúrbio e em caso positivo o usuário é indicado para o tratamento presencial e individual.
"Na conversa por e-mail, conduzimos o indivíduo a tomar consciência de que existe uma lacuna em sua vida que está sendo preenchida pela internet. E, em alguns casos, apenas essa conscientização já atua de forma positiva, diminuindo o acesso à rede", disse Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga do NPPI.
Segundo a psicóloga Rosa Farah, coordenadora do NPPI, normalmente as pessoas que apresentam sintomas do distúrbio não pedem ajuda ou procuram tratamento, são as pessoas próximas aos dependentes que procuram os centros de tratamento para buscar orientação.
Apesar dos números, o assunto ainda não é encarado com seriedade pelos usuários de internet e aqueles que apresentam características de usuários dependentes não acreditam que isso seja algo tão prejudicial que o motive a fazer tratamento.
Além disso, os principais locais que oferecem suporte específico a essa dependência se concentram em São Paulo, desfavorecendo os habilitantes das outras regiões do país.
7. Considerações Finais
Ao analisarmos as diferentes pesquisas realizadas sobre o tema e o conteúdo bibliográfico disponível, podemos verificar que ainda não é possível concluir se a dependência da Internet é uma patologia com características próprias ou apenas uma expressão de outra patologia, como por exemplo, a depressão. Essa indefinição, causada pela carência de estudos aprofundados, não possibilita que o uso compulsivo da internet seja catalogado como uma patologia nos manuais diagnósticos (DSM-IV, CID-10).
Entretanto, não se pode negar a existência da dependência de internet, principalmente levando-se em conta o aumento exponencial no número de usuários na internet e no número de pessoas que apresentam os sintomas do problema. Se providências não forem tomadas, esse distúrbio pode se expandir silenciosamente de forma perigosa, justamente por não ser considerado algo tão prejudicial quanto outros vícios.
Vale salientar que a internet não deve ser condenada ou considerada a causa do problema, pois hoje se tornou uma ferramenta fundamental na vida cotidiana e prática da população. A causa desse e de outros problemas encontra-se no uso de forma errada da internet, muitas vezes por falta de informação ou conhecimento.
Um trabalho mais sério de conscientização dos usuários deveria ser desenvolvido em escala nacional, visando principalmente o público jovem e adolescente, que compreendem a grande maioria dos usuários domésticos.
A tendência é que o mundo torne-se cada vez ligado ao mundo virtual, sendo assim, devemos estar preparados para os impactos positivos e negativos que estes avanços tecnológicos nos causarão, somente assim estaremos um passo a frente do problema.
8. Referências Bibliográficas
"O impacto do uso (excessivo) da Internet no comportamento social das pessoas." Karin Sylvia Graeml, José Henrique Volpi, Alexandre Reis Graeml.
"Impactos da internet no cotidiano de acadêmicos."
Ivanilde Scussiatto Eyng, Dálcio Roberto dos Reis, Luciano Scandelari.
"Saúde x Evolução da Tecnologia."
Alice Andréia Pasquali, Edward Kleine Albers, Graciano dos Santos, Leandro Miranda de Araújo, Orlei Pombeiro.
"Comportamento patológico provocado pelo uso indevido de Internet: uma leitura do ambiente produtivo e social."
Gláucia T. Bardi de Moraes, Prof.Dr. Luiz Alberto Pilatti, Prof.Dr. Luciano Scandelari.
AMITI - http://www.amiti.com.br/ - acessado em 02/10/2007
PROAD - http://www.unifesp.br/dpsiq/proad/apresenta.htm - acessado em 02/10/2007
Ballone GJ - Compulsão à Internet, Mito ou Realidade - http://gballone.sites.uol.com.br/voce/internet.html - acessado em 02/10/2007
NPPI - http://www.pucsp.br/nppi/ - acessado em 25/11/2007
http://www.netaddiction.com/ - acessado em 2/10/2007
http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=4186 - acessado em 25/11/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/vicios/te2206200405.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20334.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20332.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www.psicoinfo.com.br/depo.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www.jornaldedebates.ig.com.br/index.aspx?cnt_id=15&art_id=7243 - acessado em 25/11/2007
http://idgnow.uol.com.br/chat/2007/06/05/idgchat.2007-06-07.5442232789/ - acessado em 25/11/2007
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=3986 - acessado em 25/11/2007
http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=3231 - acessado em 25/11/2007
http://www.aecambui.com.br/index_01.php?menu=05&edicao=14&id=534 - acessado em 25/11/2007
http://www.dc2.com.br/conteudo/dc2/dcnews/dcnew.php?id=946 - acessado em 25/11/2007
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Projeto de Pesquisa para
Disciplina Resolução de Problemas II
Características e Impactos do uso compulsivo da Internet
Luiz Arthur Almeida de Freitas
Michel Perassi Melo
Rafael Chies da Silva
Roberto Masao Sato
Tiago Marques Machado
Tutor (a): Profa. Dra. Rosana Retsos S. Vargas
São Paulo, 2007
Projeto de Pesquisa apresentado para professores e alunos da turma 44 do 2° semestre de 2007 – Ciclo Básico para a conclusão da disciplina Resolução de Problemas II.
“Alguns qualificam o espaço cibernético como
um novo mundo, um mundo virtual, mas não podemos
nos equivocar. Não há dois mundos diferentes,
um real e outro virtual, mas apenas um, no qual
se devem aplicar e respeitar os mesmos valores
de liberdade e dignidade da pessoa”.
- Jacques Chirac
Sumário
1. Resumo................................................................. 05
2. Introdução e Justificativa................................................................. 06
3.Objetivos.................................................................... 08
4. Materiais e Métodos........................................................................ 09
5. Mudanças no Projeto....................................................................... 10
6. Resultados e Discussões................................................................ 11
6.1. Critérios de Diagnósticos................................................ 12
6.2. Formas de Tratamento...................................................... 13
6.3. O Problema no Brasil............................................................. 14
7. Considerações Finais...................................................................... 16
8. Referências Bibliográficas............................................................... 17
1. Resumo
As facilidades e oportunidades trazidas pela internet possibilitaram sua rápida difusão, tornando-se em pouco tempo um dos principais meios de comunicação. Estima-se que exista hoje, no mundo, mais de um bilhão de pessoas com acesso a internet, que a utilizam com as mais diversas finalidades. Com o aumento no número de internautas, o número de pessoas que fazem uso compulsivo da internet passou a chamar atenção em todo o mundo. O usuário dependente da internet é aquele que causa danos a sua vida social, familiar ou profissional devido ao uso excessivo da internet. O fato é que essa dependência de internet existe e em alguns países já tem alcançado níveis preocupantes. O objetivo desta pesquisa é estudar a compulsão a Internet, verificando as características da doença, conseqüências, e possíveis causas para o início de um hábito exagerado e vicioso no qual vive o dependente da Internet.
2. Introdução e Justificativa
As facilidades e oportunidades trazidas pela internet possibilitaram sua rápida difusão, tornando-se em pouco tempo um dos principais meios de comunicação e, por conseqüência, de diversão, lazer, informação, trabalho, pesquisa, etc. Estima-se que exista hoje, no mundo, mais de um bilhão de pessoas com acesso a internet, que a utilizam com as mais diversas finalidades. A tendência é que este número aumente a cada dia, assim como o número de vantagens oferecidas pela internet.
No entanto, esta rede mundial de computadores não está livre de perigos e desvantagens, que, assim como as vantagens, podem ser percebidas em diversas formas e áreas, tendendo a aumentar cada vez mais, como o uso excessivo da internet.
Desde que a internet começou a ser difundida, surgiram os primeiros estudos sobre os perigos da sua utilização em excesso, sendo Goldberg (1995) supostamente o primeiro a utilizar o termo "dependência de internet" e a propor a sua classificação como patologia.
Outros estudos mais aprofundados surgiram em seguida, como do da psiquiatra Kimberly Young (1996), que comparou a dependência de internet a outros vícios conhecidos e traçou o perfil dos usuários dependentes, utilizado com base de estudos posteriores. Outros pesquisadores divulgaram seus estudos, muitos divergentes dos existentes, porém, a maioria concordou que o Transtorno de Adicção a Internet (TAI) ou Uso Patológico da Internet (UPI), mal catalogado pela Associação Americana de psicologia como PIU (Pathological Internet Use), não depende exclusivamente do número de horas conectadas à rede e que os prejuízos à vida emocional do usuário é a característica determinante para a patologia, ou seja, pode-se considerar dependente de internet apenas o indivíduo que causa danos a sua vida social, familiar ou profissional devido ao uso excessivo da internet.
Entretanto, identificar quando uma pessoa passa de usuário assíduo a compulsivo não é uma tarefa simples, pois a internet é utilizada com diversos objetivos, sendo difícil separar aqueles que são realmente dependentes da internet dos que a usam para trabalho, lazer ou para obter informações. Muitas pessoas perdem o emprego, se afastam da família ou do convívio social e sequer se dão conta que esses fatos são conseqüências de seu vício.
O fato é que essa dependência de internet existe e em alguns países já tem alcançado níveis preocupantes. Uma pesquisa da Universidade de Stanford (2006) afirma que um a cada oito norte-americanos são viciados em internet. Além disso, a pesquisa advertiu que embora os serviços da internet que mais causam a dependência sejam os sites de pornografia e apostas on-line, os problemas podem surgir em atos aparentemente inofensivos, como checar o e-mail a cada cinco minutos, atualizar blogs ou acessar sites de informações financeiras para verificar o preço das ações.
Esta conclusão da pesquisa de Stanford, também colocada antes por Kimberly Young em seu site de tratamento aos dependentes, derruba as teorias anteriores de que os viciados em internet seriam em sua maioria pessoas já com algum distúrbio psicológico, apenas acentuado pela internet.
Outros países iniciaram também pesquisas e estudos sobre o vício de internet, como Suíça, China e Brasil, porém nenhum outro país se aprofundou tanto no assunto como os EUA.
3. Objetivos
Atualmente a grande gama de estudos sobre o uso patológico da internet foi realizada pelos pesquisadores norte-americanos e grande parte dos estudos realizados em outros países utilizou como base os estudos americanos. No Brasil os estudos sobre a compulsão ainda são recentes, das entidades que estudam a patologia destaca-se a AMITI (Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso), pertencente ao Instituto de Psiquiatra do Hospital das Clínicas, iniciou estudos independentes baseados em dados próprios, retirados de pesquisas com voluntários que apresentam características do vício em questão; o PROAD (Programa de Orientação e Atendimento aos Dependentes) da UNIFESP é um dos pioneiros, no Brasil, em relação ao atendimento e estudo dos dependentes de Internet; O NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática), pertencente a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
O objetivo desta pesquisa é estudar a compulsão a Internet, verificando as características da doença, conseqüências, e possíveis causas para o início de um hábito exagerado e vicioso no qual vive o dependente da Internet.
Dessa forma, será possível verificar se a compulsão a Internet pode ser considerada preocupante e se necessita de maior atenção e prevenção para que com o passar dos anos a quantidade de dependentes não aumente.
Além disso, esta pesquisa visa trazer informação e orientação, com base em dados concretos e próximos de nossa realidade, visto que as informações disponíveis na internet sobre este problema são na maioria contraditórias.
4. Materiais e Métodos
O método utilizado neste projeto foi a pesquisa aprofundada sobre o tema abordado, objetivando informações suficientes para compreender os efeitos psíquicos causados pelo uso excessivo da Internet. Procuramos obter, com a pesquisa em livros, Internet, artigos científicos e trabalhos acadêmicos, informações quantitativas e qualitativas sobre a compulsão e seus dependentes.
O contato com as instituições de tratamento aos dependentes (AMITI e PROAD), conforme proposto no Projeto de Pesquisa, mostrou-se lento e difícil como alertado pelos tutores durante a apresentação. O maior progresso foi realizado no contato com o AMITI, onde a pessoa responsável pelas relações públicas da instituição nos forneceu um guia de elaboração do documento de solicitação de entrevista com um dos profissionais do AMITI e/ou visita a um setor do ambulatório. Porém, não foi possível concluir o contato e realizar a entrevista dentro do tempo disponível. Apesar disso, as mudanças realizadas foram satisfatórias para solucionar os problemas encontrados no decorrer do projeto.
5. Mudanças no projeto
O projeto inicialmente tinha como objetivo analisar não só a compulsão a Internet, mas também os usuários. Foi proposta a comparação entre o perfil dos usuários norte-americanos e o perfil dos brasileiros, mas essa idéia foi descartada, pois esse tipo de comparação seria muito ambiciosa para o tempo de realização do Projeto.
Pelo fato do problema ainda ser pouco pesquisado no Brasil, não foi possível traçarmos o perfil do usuário brasileiro, principalmente porque, nos poucos estudos sobre a compulsão a internet no Brasil, há algumas divergências com relação às características dos usuários, outro fator que fez com que o trabalho fosse direcionado apenas ao problema em si. Além disso, alguns pesquisadores defendem que não existe um perfil de usuários dependentes.
6. Resultados e Discussões
6.1. Critérios de Diagnósticos
De acordo com a Dra. Kimberly Young, se forem detectados ao menos 5 dos 8 critérios abaixo, existem fortes indícios de dependência.
1- Preocupação com Internet, sobre o uso anterior ou o próximo uso.
2- Necessidade de usar a Internet durante cada vez mais tempo.
3- Tentativas frustradas de controlar, reduzir ou parar o uso de Internet.
4- Inquietação, mal-humor, depressão ou irritação ao tentar reduzir ou parar com o uso de Internet.
5- Conexões mais longas que o planejado originalmente.
6- Perda de alguma relação significativa, como o trabalho, a educação ou oportunidades sociais, devido ao uso excessivo da internet.
7 - Uso de mentiras para ocultar dos membros da família, terapeutas ou outros o tempo de permanência na Internet.
8 - Uso da Internet para fugir dos problemas ou de ocultar algum tipo de mal estar, como sentimentos de impotência, culpa, ansiedade, depressão, etc.
6.2. Formas de Tratamento
Existem basicamente duas formas de tratamento: presencial e à distância. O tratamento à distância, paradoxalmente feito através da própria internet via e-mail é utilizado principalmente como forma de orientação e triagem, podendo verificar se o paciente possui de fato o problema que acredita ter. Apesar de parecer contraditório, essa forma de tratamento é comum e não atrapalha na recuperação do paciente, visto que, para psiquiatras não é preciso deixar de usar a internet para obter a cura.
O principal centro de tratamento do mundo, criado por Kimberly Young, oferece tratamento completo também pela internet. Existem poucos lugares que oferecem o tratamento presencial específico para esse distúrbio e muitos deles são pagos. No Brasil existem três instituições que tratam e estudam esse distúrbio: o PROAD, da UNIFESP; o AMITI, do HC-USP e o NPPI, da PUC-SP.
Apesar do problema ainda ser recente no Brasil, outros paises já tem, em seu governo, planos de tratamento de seus pacientes. Em nossa pesquisa pudemos verificar algumas dessas formas de tratamento, que variavam das tradicionais até formas peculiares de lidar com o problema.
Exemplo disso pode ser encontrado na Coréia, país onde 90% das casas têm banda larga. O governo cobre os gastos de tratamento para grupos com até 18 jovens que passam 12 dias no acampamento “Jump Up Internet Rescue School” para se livrar do vício em Internet.
Situados em uma área florestal, à uma hora de Seul, o programa se assemelha a outros tratamentos aplicados a jovens. Instrutores os conduzem por circuitos com obstáculos no estilo exército, os acampantes passam por sessões de terapia em grupo e executam atividades relacionadas à poesia e à música. Proibidos de usar a Internet nesse período espera-se que eles construam conexões emocionais com o mundo real e enfraqueçam os elos com o mundo virtual. “É muito importante oferecer a esses jovens a experiência de um estilo de vida sem a internet. Os jovens sul-coreanos não sabem o que é isso”, afirmou Lee Yun-hee, profissional envolvida no programa.
6.3. O Problema no Brasil
Estudos divulgados pelo Ibope//NetRatings em setembro deste ano indicam que o Brasil chegou a 19,3 milhões de usuários da internet. O aumento de cerca de 40% no número de brasileiros que possuem internet em casa, em relação ao ano de 2006, e a média mensal de 23 horas e 28 minutos de conexão garantiram ao Brasil a permanência no primeiro lugar no ranking de usuários domésticos.
As pesquisas mostram que a internet se expande rapidamente no Brasil, atingindo índices consideráveis como o de usuários domésticos. Esses dados reafirmam a necessidade de melhores estudos sobre o uso que é feito desse serviço, principalmente sobre o compulsivo.
Atualmente no Brasil existem três instituições que se destacam nos estudos sobre o tema e na oferta de tratamento aos dependentes: o AMITI, o PROAD e o NPPI.
Segundo o Professor e Dr. Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Projeto Dependentes de Internet do AMITI, o grupo de dependentes formado por seu projeto foi um dos primeiros no mundo.
O grupo formado por 15 voluntários de 18 a 73 anos, previamente diagnosticados como usuários compulsivos, foi submetido á análise cognitiva por um período de 18 semanas. Os resultados obtidos no primeiro grupo já foram suficientes para contrariar a teoria, defendida na literatura mundial, de que navegar na internet durante várias horas seria um distúrbio de jovens estudantes. As informações divulgadas mostraram que o uso compulsivo da internet pode afetar pessoas de qualquer idade, sexo, nível cultural ou classe social. Essa constatação é importante, pois demonstra quão amplo é o campo de atuação desse distúrbio e desmistifica o perfil de jovem tímido que se refugia na internet.
“Fiquei surpreso com os resultados. Apesar do grupo ser pequeno, ele vai contra as estatísticas americanas que servem de base para o mundo inteiro”, disse o Dr. Cristiano Nabuco. O AMITI iniciou a formação de um novo grupo e também oferece orientação aos interessados.
O PROAD é um dos pioneiros no tratamento aos dependentes de internet no Brasil e oferece tratamento presencial, além de orientação por telefone.
O NPPI oferece uma forma alternativa de tratamento, realizado via e-mail, para garantir o anonimato dos usuários e deixa-los em situação mais confortável para pedir ajuda. Inicialmente são trocados cerca de oito e-mails com os pacientes, afim de verificar se existe de fato o distúrbio e em caso positivo o usuário é indicado para o tratamento presencial e individual.
"Na conversa por e-mail, conduzimos o indivíduo a tomar consciência de que existe uma lacuna em sua vida que está sendo preenchida pela internet. E, em alguns casos, apenas essa conscientização já atua de forma positiva, diminuindo o acesso à rede", disse Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga do NPPI.
Segundo a psicóloga Rosa Farah, coordenadora do NPPI, normalmente as pessoas que apresentam sintomas do distúrbio não pedem ajuda ou procuram tratamento, são as pessoas próximas aos dependentes que procuram os centros de tratamento para buscar orientação.
Apesar dos números, o assunto ainda não é encarado com seriedade pelos usuários de internet e aqueles que apresentam características de usuários dependentes não acreditam que isso seja algo tão prejudicial que o motive a fazer tratamento.
Além disso, os principais locais que oferecem suporte específico a essa dependência se concentram em São Paulo, desfavorecendo os habilitantes das outras regiões do país.
7. Considerações Finais
Ao analisarmos as diferentes pesquisas realizadas sobre o tema e o conteúdo bibliográfico disponível, podemos verificar que ainda não é possível concluir se a dependência da Internet é uma patologia com características próprias ou apenas uma expressão de outra patologia, como por exemplo, a depressão. Essa indefinição, causada pela carência de estudos aprofundados, não possibilita que o uso compulsivo da internet seja catalogado como uma patologia nos manuais diagnósticos (DSM-IV, CID-10).
Entretanto, não se pode negar a existência da dependência de internet, principalmente levando-se em conta o aumento exponencial no número de usuários na internet e no número de pessoas que apresentam os sintomas do problema. Se providências não forem tomadas, esse distúrbio pode se expandir silenciosamente de forma perigosa, justamente por não ser considerado algo tão prejudicial quanto outros vícios.
Vale salientar que a internet não deve ser condenada ou considerada a causa do problema, pois hoje se tornou uma ferramenta fundamental na vida cotidiana e prática da população. A causa desse e de outros problemas encontra-se no uso de forma errada da internet, muitas vezes por falta de informação ou conhecimento.
Um trabalho mais sério de conscientização dos usuários deveria ser desenvolvido em escala nacional, visando principalmente o público jovem e adolescente, que compreendem a grande maioria dos usuários domésticos.
A tendência é que o mundo torne-se cada vez ligado ao mundo virtual, sendo assim, devemos estar preparados para os impactos positivos e negativos que estes avanços tecnológicos nos causarão, somente assim estaremos um passo a frente do problema.
8. Referências Bibliográficas
"O impacto do uso (excessivo) da Internet no comportamento social das pessoas." Karin Sylvia Graeml, José Henrique Volpi, Alexandre Reis Graeml.
"Impactos da internet no cotidiano de acadêmicos."
Ivanilde Scussiatto Eyng, Dálcio Roberto dos Reis, Luciano Scandelari.
"Saúde x Evolução da Tecnologia."
Alice Andréia Pasquali, Edward Kleine Albers, Graciano dos Santos, Leandro Miranda de Araújo, Orlei Pombeiro.
"Comportamento patológico provocado pelo uso indevido de Internet: uma leitura do ambiente produtivo e social."
Gláucia T. Bardi de Moraes, Prof.Dr. Luiz Alberto Pilatti, Prof.Dr. Luciano Scandelari.
AMITI - http://www.amiti.com.br/ - acessado em 02/10/2007
PROAD - http://www.unifesp.br/dpsiq/proad/apresenta.htm - acessado em 02/10/2007
Ballone GJ - Compulsão à Internet, Mito ou Realidade - http://gballone.sites.uol.com.br/voce/internet.html - acessado em 02/10/2007
NPPI - http://www.pucsp.br/nppi/ - acessado em 25/11/2007
http://www.netaddiction.com/ - acessado em 2/10/2007
http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=4186 - acessado em 25/11/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/vicios/te2206200405.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20334.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20332.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www.psicoinfo.com.br/depo.shtml - acessado em 25/11/2007
http://www.jornaldedebates.ig.com.br/index.aspx?cnt_id=15&art_id=7243 - acessado em 25/11/2007
http://idgnow.uol.com.br/chat/2007/06/05/idgchat.2007-06-07.5442232789/ - acessado em 25/11/2007
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=3986 - acessado em 25/11/2007
http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=3231 - acessado em 25/11/2007
http://www.aecambui.com.br/index_01.php?menu=05&edicao=14&id=534 - acessado em 25/11/2007
http://www.dc2.com.br/conteudo/dc2/dcnews/dcnew.php?id=946 - acessado em 25/11/2007
Já nascem sabendo
odo mundo sabe por onde elas andaram nos últimos nove meses, mas o que ninguém explica é essa incrível afinidade de crianças de hoje, quase ainda bebês, com os jogos e outros brinquedos eletrônicos
Já nascem sabendo
É sintomático nos dias que correm. Mal aprendeu a andar ou falar, a criança já demonstra habilidade para segurar o joystick e apertar os controles do videogame. É assim na mai oria dos países do mundo, é assim no Brasil; o videogame se tornou objeto de reflexão, e tem dividido as opiniões. Há quem o considere um aliado na formação da criança, há quem o olhe com desconfiança e até quem seja totalmente contrário, a ponto de defender a proibição deles. No meio termo, está a psico pedagoga Sílvia Amaral de Mello Pinto, coordenadora do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD), de São Paulo, que utiliza jogos eletrônicos em seu trabalho clínico.
Sílvia recomenda o uso dos vi deogames também nas escolas, pois eles, ao provocar uma grande ativação cerebral, são estimuladores da aprendizagem. “Na realidade, são processadores de informações. Quando se trabalha com estímulos visuais e auditivos de forma simultânea, o cé rebro também se beneficia dessa atividade. Ela mexe com diferentes áreas cerebrais, como a da visão, da audição e regiões cognitivas de proces samento de informações”, comenta.
De acordo com o jogo, a criança tem que realizar simulações, traçar estratégias e planejamentos, para que dê certo. “O processo da vida diária é esse. A pessoa precisa tomar decisões, há crianças que não sabem como fazer isso e podem aprender por meio de um jogo, seja ele de video game ou de computador. Por esse ponto de vista, o uso é positivo”, afirma a psicopedagoga.
Na contrapartida, o brinquedo passa a ser nocivo quando a criança o usa em demasia. Ela abandona outros jogos, abdica da convivência com seus amigos, não faz a lição de casa ou práticas esportivas. “É importante que tenha uma atividade física, porque ficar diante do video game ou do computador é outro problema. Apesar de ativar o cérebro, é uma ação muito parada. É necessário mobilizar o corpo por inteiro. Além disso, é importante o convívio so cial”, explica Sílvia.
Realidades diferentes
Para os especialistas, é fundamental que os pais escolham e anali sem os conteúdos dos jogos de vi deo game. Da mesma forma que há opções consideradas educativas, e xis tem aquelas excessivamente violentas, que transmitem valores inadequados e provocam agitação na criança. “Quem tem filhos hipe ra tivos, que não conseguem ficar muito tempo em atividades, adora is so, mas é preciso atenção na escolha dos jogos para não au mentar ainda mais a agitação”, in forma a psico pe da goga.
Não existe pes quisa científica sobre o assunto no Bra sil e no Exte rior, mas Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC-SP, lembra que a realidade brasileira no uso da informática e da tecnologia é muito diferente da americana, assim como da japonesa. “O videogame tem cerca de 20 a 25 anos no País. Começou com o Atari, aqueles jo gui nhos que eram ligados na televisão, bem remotos. A febre dos vi deogames se deu com o boom da tecnologia há cerca de 10 anos”, lembra.
Segundo a psicóloga, com um consumismo maior, veio a preocupação sobre o que esses jogos podem trazer de bom e de ruim para os usuá rios. “Estamos falando de uma parte da população que tem acesso a essas ferramentas, caras para a maioria das pessoas. Atualmente, os pais que buscam informações são mais graduados, eles estão conscientes de que há o lado bom e o preocupante”, analisa.
Tanto Sílvia quanto Andréa concordam que a faixa etária deve per mear o acesso da criança à tec no lo gia. A primeira diz que o contato pode ser feito a partir da pré-escola, em tor no dos 5 anos, porém, sempre com muito controle e acompanhamento dos pais. “No caso de crianças que têm epilepsia, existem jogos com ad ver tência na própria caixa. Eles não são adequados porque, ao ativarem muito o cérebro, podem desencadear uma crise”, alerta a psi copedagoga.
Andréa considera que, hoje em dia, existem pais inocentes nessa questão. Sabem que o filho entende mais de tecnologia do que eles e os atendem em tudo. “Vão à loja e compram o jogo XYZ, que a criança pede, e não prestam atenção na faixa etária nem aos prejuízos que aquele jogo pode trazer. A empresa é obrigada a destacar a faixa etária porque, de algum modo, aquilo foi visto como prejudicial. Os pais têm que respeitar isso e também acompanhar os filhos, apesar das diferenças na interação e entendimento tec no lógico”, alerta.
Sílvia, por sua vez, é contra o uso dos games como babá eletrônica, ao mesmo tempo em que destaca a importância da convivência familiar. “A maioria das famílias está num ritmo de trabalho intenso, mas os pais, quando estão em casa, precisam conversar com o filho. É necessária essa interação, esse carinho, essa troca, é isso que faz a família. Os pais devem ter isso como um valor interno, não podem abrir mão”, afirma.
Brinquedo eletrônico
Andréa enfatiza também outra característica social muito forte do mundo moderno, a violência urbana. A criança não pode sair para brincar na rua, por isso os games se tornam uma opção. “Seria positivo se ela utilizasse essa ferramenta acompanhada de um adulto. Hoje, uma criança de 6 anos já domina o videogame com muita facilidade, mas há o risco dela criar um vínculo direto com o brinquedo.”
Na opinião de Sílvia, o fato da criança gostar em demasia dos games não está relacionado a um suposto amadurecimento precoce, pois se trata de um brinquedo. “Quem não gosta de um brinquedo? Até o adulto. Todos nós precisamos de lazer. Às vezes, é mais perigoso a crian ça, o jovem, praticar um esporte radical, porque põe em risco a sua vida e a dos outros, do que brincar com games”, compara.
Segundo a psicopedagoga, é preciso cuidado com o vício. Como esses jogos oferecem etapas a serem cumpridas, muitas crianças, adolescentes, jovens e adultos, na fissura de passar para a etapa seguinte, ficam horas na frente da tela. “Diante dessa possibilidade, os pais têm que estipular o horário. Caso o filho não obedeça às regras, devem retirar o jogo e deixá-lo sem jogar por um tempo até que ele aceite o combinado”, orienta.
Para Andréa, as ferramentas ou brinquedos precisam estar integrados. “A criança brinca de carrinho, de pular corda; almoça; toma banho e joga videogame. Ao pular corda, desenvolve a parte motora grossa; no videogame, a parte motora fina.” Ela conclui que hoje há diversos trabalhos pedagógicos voltados para o desenvolvimento integrado da criança. “Vamos supor que na escola esteja sendo trabalhado a mariposa. Ela vai ver, tocar, conhecer o ciclo de desenvolvimento do inseto. No computador, ela pode pesquisar outros dados a respeito dele.” (M.A.)
Já nascem sabendo
É sintomático nos dias que correm. Mal aprendeu a andar ou falar, a criança já demonstra habilidade para segurar o joystick e apertar os controles do videogame. É assim na mai oria dos países do mundo, é assim no Brasil; o videogame se tornou objeto de reflexão, e tem dividido as opiniões. Há quem o considere um aliado na formação da criança, há quem o olhe com desconfiança e até quem seja totalmente contrário, a ponto de defender a proibição deles. No meio termo, está a psico pedagoga Sílvia Amaral de Mello Pinto, coordenadora do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD), de São Paulo, que utiliza jogos eletrônicos em seu trabalho clínico.
Sílvia recomenda o uso dos vi deogames também nas escolas, pois eles, ao provocar uma grande ativação cerebral, são estimuladores da aprendizagem. “Na realidade, são processadores de informações. Quando se trabalha com estímulos visuais e auditivos de forma simultânea, o cé rebro também se beneficia dessa atividade. Ela mexe com diferentes áreas cerebrais, como a da visão, da audição e regiões cognitivas de proces samento de informações”, comenta.
De acordo com o jogo, a criança tem que realizar simulações, traçar estratégias e planejamentos, para que dê certo. “O processo da vida diária é esse. A pessoa precisa tomar decisões, há crianças que não sabem como fazer isso e podem aprender por meio de um jogo, seja ele de video game ou de computador. Por esse ponto de vista, o uso é positivo”, afirma a psicopedagoga.
Na contrapartida, o brinquedo passa a ser nocivo quando a criança o usa em demasia. Ela abandona outros jogos, abdica da convivência com seus amigos, não faz a lição de casa ou práticas esportivas. “É importante que tenha uma atividade física, porque ficar diante do video game ou do computador é outro problema. Apesar de ativar o cérebro, é uma ação muito parada. É necessário mobilizar o corpo por inteiro. Além disso, é importante o convívio so cial”, explica Sílvia.
Realidades diferentes
Para os especialistas, é fundamental que os pais escolham e anali sem os conteúdos dos jogos de vi deo game. Da mesma forma que há opções consideradas educativas, e xis tem aquelas excessivamente violentas, que transmitem valores inadequados e provocam agitação na criança. “Quem tem filhos hipe ra tivos, que não conseguem ficar muito tempo em atividades, adora is so, mas é preciso atenção na escolha dos jogos para não au mentar ainda mais a agitação”, in forma a psico pe da goga.
Não existe pes quisa científica sobre o assunto no Bra sil e no Exte rior, mas Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC-SP, lembra que a realidade brasileira no uso da informática e da tecnologia é muito diferente da americana, assim como da japonesa. “O videogame tem cerca de 20 a 25 anos no País. Começou com o Atari, aqueles jo gui nhos que eram ligados na televisão, bem remotos. A febre dos vi deogames se deu com o boom da tecnologia há cerca de 10 anos”, lembra.
Segundo a psicóloga, com um consumismo maior, veio a preocupação sobre o que esses jogos podem trazer de bom e de ruim para os usuá rios. “Estamos falando de uma parte da população que tem acesso a essas ferramentas, caras para a maioria das pessoas. Atualmente, os pais que buscam informações são mais graduados, eles estão conscientes de que há o lado bom e o preocupante”, analisa.
Tanto Sílvia quanto Andréa concordam que a faixa etária deve per mear o acesso da criança à tec no lo gia. A primeira diz que o contato pode ser feito a partir da pré-escola, em tor no dos 5 anos, porém, sempre com muito controle e acompanhamento dos pais. “No caso de crianças que têm epilepsia, existem jogos com ad ver tência na própria caixa. Eles não são adequados porque, ao ativarem muito o cérebro, podem desencadear uma crise”, alerta a psi copedagoga.
Andréa considera que, hoje em dia, existem pais inocentes nessa questão. Sabem que o filho entende mais de tecnologia do que eles e os atendem em tudo. “Vão à loja e compram o jogo XYZ, que a criança pede, e não prestam atenção na faixa etária nem aos prejuízos que aquele jogo pode trazer. A empresa é obrigada a destacar a faixa etária porque, de algum modo, aquilo foi visto como prejudicial. Os pais têm que respeitar isso e também acompanhar os filhos, apesar das diferenças na interação e entendimento tec no lógico”, alerta.
Sílvia, por sua vez, é contra o uso dos games como babá eletrônica, ao mesmo tempo em que destaca a importância da convivência familiar. “A maioria das famílias está num ritmo de trabalho intenso, mas os pais, quando estão em casa, precisam conversar com o filho. É necessária essa interação, esse carinho, essa troca, é isso que faz a família. Os pais devem ter isso como um valor interno, não podem abrir mão”, afirma.
Brinquedo eletrônico
Andréa enfatiza também outra característica social muito forte do mundo moderno, a violência urbana. A criança não pode sair para brincar na rua, por isso os games se tornam uma opção. “Seria positivo se ela utilizasse essa ferramenta acompanhada de um adulto. Hoje, uma criança de 6 anos já domina o videogame com muita facilidade, mas há o risco dela criar um vínculo direto com o brinquedo.”
Na opinião de Sílvia, o fato da criança gostar em demasia dos games não está relacionado a um suposto amadurecimento precoce, pois se trata de um brinquedo. “Quem não gosta de um brinquedo? Até o adulto. Todos nós precisamos de lazer. Às vezes, é mais perigoso a crian ça, o jovem, praticar um esporte radical, porque põe em risco a sua vida e a dos outros, do que brincar com games”, compara.
Segundo a psicopedagoga, é preciso cuidado com o vício. Como esses jogos oferecem etapas a serem cumpridas, muitas crianças, adolescentes, jovens e adultos, na fissura de passar para a etapa seguinte, ficam horas na frente da tela. “Diante dessa possibilidade, os pais têm que estipular o horário. Caso o filho não obedeça às regras, devem retirar o jogo e deixá-lo sem jogar por um tempo até que ele aceite o combinado”, orienta.
Para Andréa, as ferramentas ou brinquedos precisam estar integrados. “A criança brinca de carrinho, de pular corda; almoça; toma banho e joga videogame. Ao pular corda, desenvolve a parte motora grossa; no videogame, a parte motora fina.” Ela conclui que hoje há diversos trabalhos pedagógicos voltados para o desenvolvimento integrado da criança. “Vamos supor que na escola esteja sendo trabalhado a mariposa. Ela vai ver, tocar, conhecer o ciclo de desenvolvimento do inseto. No computador, ela pode pesquisar outros dados a respeito dele.” (M.A.)
Crianças e computador: uma relação delicada
Saiba como controlar o acesso de seu filho à internet e evitar que ele caia nas armadilhas da web. Segundo a psicóloga Andréa Nolf, o diálogo ainda é fundamental
por Redação Tudo Bem
01.01.2006
Em América, o personagem Rique (Matheus Costa) teclava com um adulto pensando ser um menino de 12 anos: pais não devem ceder aos pedidos de privacidade
São Paulo - Recentemente, a novela América expôs um fato delicado e que vem deixando muitos adultos de cabelo em pé: o assédio a crianças via internet. Na trama, um homem de meia-idade se fez passar por um garoto de 12 anos na web e, com a promessa de presentear o pequeno Rique (Matheus Costa) com jogos eletrônicos, marcou encontros com ele em um shopping. Os pais demoraram a perceber a cilada, já que o menino exigia privacidade para navegar e não deixava ninguém acompanhar os bate-papos. Exibido em horário nobre, o assunto ganhou destaque e trouxe à tona a seguinte polêmica: até que ponto a relação entre os baixinhos e o computador é saudável e inofensiva?
Por si só, a questão já é complexa, e piora quando se leva em consideração que, hoje, a criançada passa muito tempo em casa - e sozinha - e tem como principal diversão o trio monitor, mouse e teclado. Mas os adultos não precisam se desesperar. Existem meios de controlar o acesso dos pequenos à rede, com recursos que vão desde bloqueadores de conteúdo (veja quadro ao lado) até o simples e barato diálogo. “Estar com os filhos, e atentos ao uso que eles fazem de suas “vidas virtuais”, é o que há de mais importante”, afirma Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga e integrante do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC/SP.
Para começo de conversa, é bom esclarecer uma coisa: cada faixa etária exige um tipo de controle diferente. “Assim como na “vida presencial” (face a face), as responsabilidades e perigos amadurecem conforme o usuário também evolui”, explica Andréa. Isso significa que, em idade pré-escolar - quando os baixinhos literalmente descobrem o mundo -, os cuidados devem ser redobrados. “Nessa fase, o acompanhamento deve ser ainda mais atento, pois o que é ensinado tende a prosseguir. Como o exemplo tem muito mais peso no aprendizado, os responsáveis precisam, antes de tudo, se preocupar com sua postura na “vida virtual”, principalmente para não parecerem incoerentes com aquilo que estão tentando ensinar”. Ou seja, de nada adianta impedir que seu filho entre em uma sala de bate-papo se você passa a noite inteira teclando com pessoas que, muitas vezes, nem conhece.
Tempo certo
Aí vem a dúvida: a partir de que momento, então, posso deixar meu filho navegar sozinho? “Com a mesma idade que o deixaria passear sozinho na “vida presencial””, responde a psicóloga, lembrando que cada família tem seu próprio “timing”. “Só o convívio nos dará essa medida. É no contato, no toque, no “estar junto” que podemos buscar a avaliação mais segura sobre o “certo”, o “melhor” e o mais viável a ser feito, tanto no mundo real (quando dizer por favor e obrigado) quanto no virtual (quando não freqüentar sites indevidos ou impróprios ou não vandalizar páginas alheias, só porque ainda não existe punição para isso)”. A dica vale para conversas simultâneas, comunidades do tipo Orkut e e-mails.
Uso e abuso
O período desprendido frente à tela também pode - e deve - ser rigorosamente controlado. “A “doença” não está no uso, mas no abuso”, diz a especialista. Só não vá limitar completamente a navegação. “Não esqueça que as crianças têm que experimentar e vivenciar dentro de suas rotinas”. Obedecendo a essa regrinha, até mesmo os games (brinquedo preferido de nove entre dez meninos atualmente) estão liberados.
Para Andréa, os riscos que uma criança corre ao utilizar a web de maneira desenfreada são os mesmos de andar pela rua sozinha, por exemplo. Assim, é fundamental ensiná-la a não falar com estranhos (principalmente se forem mais velhos) nem fornecer dados pessoais, como endereço e telefone. E nunca - em hipótese alguma - marcar encontros com pessoas que só conhece por um (vago) apelido. “Em ambos os mundos existem mocinhos e bandidos”, alerta.
A melhor forma de descobrir o que seu filho faz na net é acompanhar de perto seus acessos. “Fique junto, dialogue e tecle com ele”, recomenda a pesquisadora. Isso ajuda, inclusive, a identificar um possível assédio (como o abordado em América). Caso desconfie que o baixinho esteja sofrendo algum tipo de abuso, denuncie imediatamente às autoridades competentes. E lembre-se: não ceda aos pedidos de privacidade da criança. “O problema não está no computador em si, mas na fraqueza e na inversão dos valores internos, ambos trazidos pela modernidade. A criança só pode andar sozinha na rua ou exigir alguma coisa quando tiver responsabilidade para tal”.
Dicas gerais
[-] Acompanhe seu filho durante as navegações
[-] Se possível, instale um bloqueador de conteúdo
[-] Ensine a criança a não fornecer dados pessoais, como nome completo, endereço e telefone, e não permita que ela marque encontros com desconhecidos
[-] Esteja sempre aberto ao diálogo, e saiba escutar
[-] Só deixe seu filho navegar sozinho quando perceber que ele tem maturidade para isso, e ainda assim com tempo limitado
[-] Explique para o baixinho o que é um abuso
[-] Redobre os cuidados com crianças em idade pré-escolar, que estão descobrindo o mundo
[-] Fique atento aos seus próprios hábitos. Seu filho sempre lhe tomará como exemplo
Bloqueadores de conteúdo
Uma ferramenta que pode auxiliar os pais a controlar o acesso dos pequenos à web são os bloqueadores de conteúdo. O próprio Internet Explorer possui essa função. Para ativá-la, basta clicar com o botão direito do mouse no ícone do Explorer e escolher a opção Propriedades. Clicando em Conteúdo, abrem-se as caixas Classificação - que bloqueia as páginas por Linguagem, Nudez, Sexo ou Violência, em níveis que vão de zero (inofensivas) a quatro (linguagem crua ou explícita) -, Sites aprovados - que bloqueia pelo endereço da home page - e Geral - que permite ao usuário criar uma senha para proteger as configurações que acabou de fazer. Escolhidas as opções de bloqueio, é só finalizar com um clique em Aplicar.
Há ainda o bloqueador do Norton Internet Security 2005 (que aparece na tela principal do programa como Controle para Pais), e aqueles disponíveis no formato de softwares, como o PureSight Home Edition, o NetFilter Família 2.39W, o CyberPatrol, o NetNanny e o Web-Fi Bloqueador, entre outros, que podem ser baixados pela internet mediante pagamento - apenas alguns são gratuitos. Eles funcionam por meio de palavras-chave (normalmente pornográficas) que impedem a exibição de sites desse teor. A única desvantagem é a dificuldade na instalação.
Palavra de especialista
“Temos que educar nossos filhos na vida real, uma vez que em suas cabecinhas o mundo virtual e o real coabitam sem conflitos. Neste momento, me parece impossível reinventar um mundo “presencial” onde o virtual não mais exista, como o que nós, adultos, vivenciamos. Particularmente, não me espantaria se meus filhos, em um futuro não muito longínqüo, tivessem outras mães, pais, irmãos e nacionalidades, fossem casados, de outro sexo e vivessem concomitantemente em várias épocas e planetas, em realidades tão importantes e significativas quanto a “presencial” - só que virtuais.
Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga e integrante do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC/SP
Andressa Christofoletti Viviani
Matéria publicada na edição #656 do Jornal Tudo Bem
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 01/01/2006.
por Redação Tudo Bem
01.01.2006
Em América, o personagem Rique (Matheus Costa) teclava com um adulto pensando ser um menino de 12 anos: pais não devem ceder aos pedidos de privacidade
São Paulo - Recentemente, a novela América expôs um fato delicado e que vem deixando muitos adultos de cabelo em pé: o assédio a crianças via internet. Na trama, um homem de meia-idade se fez passar por um garoto de 12 anos na web e, com a promessa de presentear o pequeno Rique (Matheus Costa) com jogos eletrônicos, marcou encontros com ele em um shopping. Os pais demoraram a perceber a cilada, já que o menino exigia privacidade para navegar e não deixava ninguém acompanhar os bate-papos. Exibido em horário nobre, o assunto ganhou destaque e trouxe à tona a seguinte polêmica: até que ponto a relação entre os baixinhos e o computador é saudável e inofensiva?
Por si só, a questão já é complexa, e piora quando se leva em consideração que, hoje, a criançada passa muito tempo em casa - e sozinha - e tem como principal diversão o trio monitor, mouse e teclado. Mas os adultos não precisam se desesperar. Existem meios de controlar o acesso dos pequenos à rede, com recursos que vão desde bloqueadores de conteúdo (veja quadro ao lado) até o simples e barato diálogo. “Estar com os filhos, e atentos ao uso que eles fazem de suas “vidas virtuais”, é o que há de mais importante”, afirma Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga e integrante do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC/SP.
Para começo de conversa, é bom esclarecer uma coisa: cada faixa etária exige um tipo de controle diferente. “Assim como na “vida presencial” (face a face), as responsabilidades e perigos amadurecem conforme o usuário também evolui”, explica Andréa. Isso significa que, em idade pré-escolar - quando os baixinhos literalmente descobrem o mundo -, os cuidados devem ser redobrados. “Nessa fase, o acompanhamento deve ser ainda mais atento, pois o que é ensinado tende a prosseguir. Como o exemplo tem muito mais peso no aprendizado, os responsáveis precisam, antes de tudo, se preocupar com sua postura na “vida virtual”, principalmente para não parecerem incoerentes com aquilo que estão tentando ensinar”. Ou seja, de nada adianta impedir que seu filho entre em uma sala de bate-papo se você passa a noite inteira teclando com pessoas que, muitas vezes, nem conhece.
Tempo certo
Aí vem a dúvida: a partir de que momento, então, posso deixar meu filho navegar sozinho? “Com a mesma idade que o deixaria passear sozinho na “vida presencial””, responde a psicóloga, lembrando que cada família tem seu próprio “timing”. “Só o convívio nos dará essa medida. É no contato, no toque, no “estar junto” que podemos buscar a avaliação mais segura sobre o “certo”, o “melhor” e o mais viável a ser feito, tanto no mundo real (quando dizer por favor e obrigado) quanto no virtual (quando não freqüentar sites indevidos ou impróprios ou não vandalizar páginas alheias, só porque ainda não existe punição para isso)”. A dica vale para conversas simultâneas, comunidades do tipo Orkut e e-mails.
Uso e abuso
O período desprendido frente à tela também pode - e deve - ser rigorosamente controlado. “A “doença” não está no uso, mas no abuso”, diz a especialista. Só não vá limitar completamente a navegação. “Não esqueça que as crianças têm que experimentar e vivenciar dentro de suas rotinas”. Obedecendo a essa regrinha, até mesmo os games (brinquedo preferido de nove entre dez meninos atualmente) estão liberados.
Para Andréa, os riscos que uma criança corre ao utilizar a web de maneira desenfreada são os mesmos de andar pela rua sozinha, por exemplo. Assim, é fundamental ensiná-la a não falar com estranhos (principalmente se forem mais velhos) nem fornecer dados pessoais, como endereço e telefone. E nunca - em hipótese alguma - marcar encontros com pessoas que só conhece por um (vago) apelido. “Em ambos os mundos existem mocinhos e bandidos”, alerta.
A melhor forma de descobrir o que seu filho faz na net é acompanhar de perto seus acessos. “Fique junto, dialogue e tecle com ele”, recomenda a pesquisadora. Isso ajuda, inclusive, a identificar um possível assédio (como o abordado em América). Caso desconfie que o baixinho esteja sofrendo algum tipo de abuso, denuncie imediatamente às autoridades competentes. E lembre-se: não ceda aos pedidos de privacidade da criança. “O problema não está no computador em si, mas na fraqueza e na inversão dos valores internos, ambos trazidos pela modernidade. A criança só pode andar sozinha na rua ou exigir alguma coisa quando tiver responsabilidade para tal”.
Dicas gerais
[-] Acompanhe seu filho durante as navegações
[-] Se possível, instale um bloqueador de conteúdo
[-] Ensine a criança a não fornecer dados pessoais, como nome completo, endereço e telefone, e não permita que ela marque encontros com desconhecidos
[-] Esteja sempre aberto ao diálogo, e saiba escutar
[-] Só deixe seu filho navegar sozinho quando perceber que ele tem maturidade para isso, e ainda assim com tempo limitado
[-] Explique para o baixinho o que é um abuso
[-] Redobre os cuidados com crianças em idade pré-escolar, que estão descobrindo o mundo
[-] Fique atento aos seus próprios hábitos. Seu filho sempre lhe tomará como exemplo
Bloqueadores de conteúdo
Uma ferramenta que pode auxiliar os pais a controlar o acesso dos pequenos à web são os bloqueadores de conteúdo. O próprio Internet Explorer possui essa função. Para ativá-la, basta clicar com o botão direito do mouse no ícone do Explorer e escolher a opção Propriedades. Clicando em Conteúdo, abrem-se as caixas Classificação - que bloqueia as páginas por Linguagem, Nudez, Sexo ou Violência, em níveis que vão de zero (inofensivas) a quatro (linguagem crua ou explícita) -, Sites aprovados - que bloqueia pelo endereço da home page - e Geral - que permite ao usuário criar uma senha para proteger as configurações que acabou de fazer. Escolhidas as opções de bloqueio, é só finalizar com um clique em Aplicar.
Há ainda o bloqueador do Norton Internet Security 2005 (que aparece na tela principal do programa como Controle para Pais), e aqueles disponíveis no formato de softwares, como o PureSight Home Edition, o NetFilter Família 2.39W, o CyberPatrol, o NetNanny e o Web-Fi Bloqueador, entre outros, que podem ser baixados pela internet mediante pagamento - apenas alguns são gratuitos. Eles funcionam por meio de palavras-chave (normalmente pornográficas) que impedem a exibição de sites desse teor. A única desvantagem é a dificuldade na instalação.
Palavra de especialista
“Temos que educar nossos filhos na vida real, uma vez que em suas cabecinhas o mundo virtual e o real coabitam sem conflitos. Neste momento, me parece impossível reinventar um mundo “presencial” onde o virtual não mais exista, como o que nós, adultos, vivenciamos. Particularmente, não me espantaria se meus filhos, em um futuro não muito longínqüo, tivessem outras mães, pais, irmãos e nacionalidades, fossem casados, de outro sexo e vivessem concomitantemente em várias épocas e planetas, em realidades tão importantes e significativas quanto a “presencial” - só que virtuais.
Andréa Jotta Ribeiro Nolf, psicóloga e integrante do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC/SP
Andressa Christofoletti Viviani
Matéria publicada na edição #656 do Jornal Tudo Bem
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 01/01/2006.
O mundo tecnológico deu origem aos viciados em internet. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo fazem mal uso da rede.
Dependentes.com
Por Andrea Guedes
Um distúrbio moderno, fruto de um mundo tecnológico, a dependência da internet já afeta um batalhão de cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Calma, você não vai aumentar esta estatística porque está lendo esta matéria e navegando já há algumas longas horas. Paradoxalmente, a própria rede ajuda a tratar o vício.
Não é o tempo de conexão que determina a dependência, explica a psicóloga Andréa Jotta Ribeiro Nolf, do Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática da PUC de São Paulo. Segundo ela, existem duas formas de se usar a rede: a criativa e a restritiva ou nociva.
No primeiro caso, o indivíduo insere a internet em sua rotina. Ou seja, trabalha, pesquisa, bate-papo com os amigos, vê e-mails, sem deixar de fazer nada em sua vida por conta disso. Já o uso nocivo se caracteriza quando a pessoa chega em casa, por exemplo, e se conecta, sem conversar com o cônjuge ou os filhos. Deixa de sair, de comer, de conviver com os amigos em função da rede. Até o trabalho é prejudicado, quando o tempo é gasto em blogs, fotologs e outros sites.
Conforme explica a psicóloga, não há um perfil do dependente, nem algo específico que ele busque na rede. Apenas os rapazes entre 15 e 25 anos têm mais tendência a se viciar em jogos online e pornografia, como o caso de um dos estudantes atendidos por Andréa. O hábito de acessar a internet de madrugada em busca de sites pornográficos começou a prejudicá-lo na escola e na vida social, já que quase não saía mais com os amigos.
Na faixa acima de 50 anos, porém, os casos de dependência são menos freqüentes. "O que temos percebido é o aumento de pessoas nessa faixa etária acessando a internet e fazendo o uso positivo dela, já que eles buscam a rede para conversar com filhos distantes ou fazer cursos online. E a maioria dos e-mails que chega ao núcleo, de pessoas com mais de 50 anos, são de pais preocupados com os filhos", destaca Andréa.
Criado há 15 anos, o núcleo oferece atendimento e orientações via e-mail sobre todos os problemas relacionados à informática, desde traições virtuais à dependência da internet. Nesse último caso, os terapeutas trocam oito e-mails com o paciente, para caracterizar se de fato existe o vício. Em caso afirmativo, começa o atendimento presencial e individual. "Na conversa por e-mail, conduzimos o indivíduo a tomar consciência de que existe uma lacuna em sua vida que está sendo preenchida pela internet. E, em alguns casos, apenas essa conscientização já atua de forma positiva, diminuindo o acesso à rede", aponta Andréa.
Portanto, se há alguma suspeita de dependência, o ideal é procurar ajuda profissional. O Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática (NPPI) da PUC de São Paulo oferece orientação por e-mail, e caso seja necessário, indica um tratamento terapêutico na cidade do paciente.
http://www.maisde50.com.br/artigo.asp?id=6471
Por Andrea Guedes
Um distúrbio moderno, fruto de um mundo tecnológico, a dependência da internet já afeta um batalhão de cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Calma, você não vai aumentar esta estatística porque está lendo esta matéria e navegando já há algumas longas horas. Paradoxalmente, a própria rede ajuda a tratar o vício.
Não é o tempo de conexão que determina a dependência, explica a psicóloga Andréa Jotta Ribeiro Nolf, do Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática da PUC de São Paulo. Segundo ela, existem duas formas de se usar a rede: a criativa e a restritiva ou nociva.
No primeiro caso, o indivíduo insere a internet em sua rotina. Ou seja, trabalha, pesquisa, bate-papo com os amigos, vê e-mails, sem deixar de fazer nada em sua vida por conta disso. Já o uso nocivo se caracteriza quando a pessoa chega em casa, por exemplo, e se conecta, sem conversar com o cônjuge ou os filhos. Deixa de sair, de comer, de conviver com os amigos em função da rede. Até o trabalho é prejudicado, quando o tempo é gasto em blogs, fotologs e outros sites.
Conforme explica a psicóloga, não há um perfil do dependente, nem algo específico que ele busque na rede. Apenas os rapazes entre 15 e 25 anos têm mais tendência a se viciar em jogos online e pornografia, como o caso de um dos estudantes atendidos por Andréa. O hábito de acessar a internet de madrugada em busca de sites pornográficos começou a prejudicá-lo na escola e na vida social, já que quase não saía mais com os amigos.
Na faixa acima de 50 anos, porém, os casos de dependência são menos freqüentes. "O que temos percebido é o aumento de pessoas nessa faixa etária acessando a internet e fazendo o uso positivo dela, já que eles buscam a rede para conversar com filhos distantes ou fazer cursos online. E a maioria dos e-mails que chega ao núcleo, de pessoas com mais de 50 anos, são de pais preocupados com os filhos", destaca Andréa.
Criado há 15 anos, o núcleo oferece atendimento e orientações via e-mail sobre todos os problemas relacionados à informática, desde traições virtuais à dependência da internet. Nesse último caso, os terapeutas trocam oito e-mails com o paciente, para caracterizar se de fato existe o vício. Em caso afirmativo, começa o atendimento presencial e individual. "Na conversa por e-mail, conduzimos o indivíduo a tomar consciência de que existe uma lacuna em sua vida que está sendo preenchida pela internet. E, em alguns casos, apenas essa conscientização já atua de forma positiva, diminuindo o acesso à rede", aponta Andréa.
Portanto, se há alguma suspeita de dependência, o ideal é procurar ajuda profissional. O Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática (NPPI) da PUC de São Paulo oferece orientação por e-mail, e caso seja necessário, indica um tratamento terapêutico na cidade do paciente.
http://www.maisde50.com.br/artigo.asp?id=6471
domingo, 25 de outubro de 2009
BARRACO MTV tema Orkut, Msn,Linkedin, twitter são uteis ou perda de tempo
BARRACO MTV
tema Orkut, Msn,Linkedin, twitter são uteis ou perda de tempo
a partir do segundo bloco
http://mtv.uol.com.br/debate/videos/mtv-debate-redes-sociais-são-úteis-ou-perda-de-tempo-clique-e-assista-na-íntegra
tema Orkut, Msn,Linkedin, twitter são uteis ou perda de tempo
a partir do segundo bloco
http://mtv.uol.com.br/debate/videos/mtv-debate-redes-sociais-são-úteis-ou-perda-de-tempo-clique-e-assista-na-íntegra
Saiba como educar as crianças para uma navegação segura na internet
Quando as crianças começam a usar a internet, é natural que surjam dúvidas sobre como protegê-las no ciberespaço. Adotar filtros de segurança ou deixar que naveguem livremente? Monitorar a navegação ou confiar na educação? Manter o computador na sala ou levá-lo para o quarto? Conversar abertamente sobre os perigos ou tratar a questão de forma velada? Cadastrar os pequenos em redes sociais ou proibi-los de acessar essas páginas? Navegar junto ou deixar que eles descubram o universo virtual sozinhos? Limitar o tempo de uso ou permitir que a criança navegue até cansar?
Doutora em educação, Maria Beatriz Loureiro de Oliveira acredita que os pais não estão fazendo a lição de casa e fala em “omissão” quando o assunto é instruir as crianças sobre a navegação on-line. “É pequena a quantidade de pais e mães que estão realmente preocupados com o que seus filhos fazem na web e com o conteúdo que acessam. Talvez isso aconteça porque os adultos não estejam muito atentos aos perigos da internet”, considera a psicopedagoga da Unesp de Araraquara.
Para Maria, a resposta ao desafio está na participação dos adultos no universo virtual, onde as crianças inevitavelmente já estão inseridas. E nesse contexto em que é necessário conhecer novas ferramentas, sites, programas e até formas de se relacionar, a função de ensinar pode ficar para os mais jovens. “Os pais podem se sentar com os filhos em frente ao computador para aprender mais sobre a internet. Quando participa, o adulto passa a fazer parte do mundo da criança”, diz a psicopedagoga, que gosta de assistir a vídeos no YouTube com seus dois filhos, de 37 e 27 anos.
De fato, como aponta a especialista, a tarefa de educar na era do ciberespaço não tem se mostrado simples. Um estudo divulgado recentemente pela empresa de segurança Symantec indica que os pais brasileiros se sentem mais preparados para discutir sexo com seus filhos do que para abordar as páginas visitadas por esses menores durante a navegação. Ou seja: pode estar mais fácil falar sobre o uso da camisinha do que sobre aquele amigos fakes que os jovens insistem em adicionar no Orkut.
Bê-a-bá
Para a psicóloga Andréa Jotta, ensinar as crianças sobre o uso seguro da internet faz parte do “pacote” que envolve outras questões relacionadas à educação. “Os pais devem estar cientes de que o universo virtual não é o terror do mundo contemporâneo e que seus filhos precisam de orientação para navegar”, diz a especialista do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.
Segundo Andrea, os cuidados dos pais em relação ao universo virtual devem ser parecidos com aqueles já tomados no mundo off-line: se a criança é instruída a não conversar com estranhos na rua, por exemplo, a mesma regra vale para os sites onde ela navega. “A internet pode parecer um espaço privado, pelo fato de ela estar dentro de casa. Mas trata-se de um ambiente público, pois abre uma janela para o mundo lá fora”, reforça.
Djalma Andrade, coordenador do Movimento Internet Segura, tem a mesma opinião. “Muitos pais consideram a web um mundo virtual, quando na verdade é uma extensão de nossa sociedade. Qualquer ação executada na internet pode trazer resultados positivos ou negativos, dependendo dos fatores envolvidos.” Por isso, Andrade defende que os adultos -- mesmo aqueles que torcem o nariz para novidades tecnológicas -- se informem e participem do universo virtual. Somente assim será possível entender as oportunidades e desafios dessa extensão do mundo virtual cada vez mais habitado pelas novas gerações.
Não faltam alternativas para conhecer mais sobre o ciberespaço e saber como ele pode ser incorporado de forma responsável à vida das crianças. A ONG que defende os direitos humanos na internet, citada no início deste texto, tem uma cartilha que explica conceitos básicos da web, além de dicas de segurança para diferentes grupos de internautas. A navegação com foco nas nos pequenos também tem espaço no site Navegue Protegido, em um guia da Microsoft e na página do Movimento Internet Segura, entre outras opções.
Bate-papo
O pacote da participação também inclui conversas familiares sobre a web (justamente aquele assunto que, segundo o estudo da Symantec, está tão difícil de ser abordado).
Nessa hora, os especialistas ouvidos são unânimes: o tema tem de ser tratado às claras, abordando os aspectos positivos e também os negativos do ciberespaço. É, sim, para falar de sites e programas legais. E também é importante deixar claro a existência de pessoas com intenções ruins, que parecem boas na tela do computador – somente desta forma, a criança terá informações para procurar seus pais, casos suspeitem de comportamentos, textos e até imagens divulgadas por desconhecidos.
Outra unanimidade é em relação à criação de uma rotina e de regras para o uso do computador. Com isso, a hora de usar o PC, com tempo pré-estabelecido e combinado entre as partes, soma-se à hora do banho, à hora de comer, à hora da lição, à hora de dormir e à hora de brincar. “Para a criança, o computador é uma forma de lazer, como a televisão e o videogame. Por isso, seu uso deve estar sempre atrelado ao cumprimento das obrigações”, ensina Andrea, da PUC-SP.
Para facilitar a criação e cumprimento das regras, a Safernet dá dicas sobre como pais e filhos podem elaborar, conjuntamente, um acordo sobre o uso seguro e saudável do ambiente virtual.
A psicóloga acredita ainda que, com a popularização dos netbooks (notebooks de dimensões e capacidades reduzidas), os computadores se tornarão cada vez mais “brincadeira de criança”. Mesmo com a adoção dos portáteis, ela defende que até os 12 anos não existe a necessidade de os internautas transportarem seus computadores para fora de casa, ambiente onde podem ser monitorados constantemente por seus responsáveis.
Fonte: Portal G1
Doutora em educação, Maria Beatriz Loureiro de Oliveira acredita que os pais não estão fazendo a lição de casa e fala em “omissão” quando o assunto é instruir as crianças sobre a navegação on-line. “É pequena a quantidade de pais e mães que estão realmente preocupados com o que seus filhos fazem na web e com o conteúdo que acessam. Talvez isso aconteça porque os adultos não estejam muito atentos aos perigos da internet”, considera a psicopedagoga da Unesp de Araraquara.
Para Maria, a resposta ao desafio está na participação dos adultos no universo virtual, onde as crianças inevitavelmente já estão inseridas. E nesse contexto em que é necessário conhecer novas ferramentas, sites, programas e até formas de se relacionar, a função de ensinar pode ficar para os mais jovens. “Os pais podem se sentar com os filhos em frente ao computador para aprender mais sobre a internet. Quando participa, o adulto passa a fazer parte do mundo da criança”, diz a psicopedagoga, que gosta de assistir a vídeos no YouTube com seus dois filhos, de 37 e 27 anos.
De fato, como aponta a especialista, a tarefa de educar na era do ciberespaço não tem se mostrado simples. Um estudo divulgado recentemente pela empresa de segurança Symantec indica que os pais brasileiros se sentem mais preparados para discutir sexo com seus filhos do que para abordar as páginas visitadas por esses menores durante a navegação. Ou seja: pode estar mais fácil falar sobre o uso da camisinha do que sobre aquele amigos fakes que os jovens insistem em adicionar no Orkut.
Bê-a-bá
Para a psicóloga Andréa Jotta, ensinar as crianças sobre o uso seguro da internet faz parte do “pacote” que envolve outras questões relacionadas à educação. “Os pais devem estar cientes de que o universo virtual não é o terror do mundo contemporâneo e que seus filhos precisam de orientação para navegar”, diz a especialista do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.
Segundo Andrea, os cuidados dos pais em relação ao universo virtual devem ser parecidos com aqueles já tomados no mundo off-line: se a criança é instruída a não conversar com estranhos na rua, por exemplo, a mesma regra vale para os sites onde ela navega. “A internet pode parecer um espaço privado, pelo fato de ela estar dentro de casa. Mas trata-se de um ambiente público, pois abre uma janela para o mundo lá fora”, reforça.
Djalma Andrade, coordenador do Movimento Internet Segura, tem a mesma opinião. “Muitos pais consideram a web um mundo virtual, quando na verdade é uma extensão de nossa sociedade. Qualquer ação executada na internet pode trazer resultados positivos ou negativos, dependendo dos fatores envolvidos.” Por isso, Andrade defende que os adultos -- mesmo aqueles que torcem o nariz para novidades tecnológicas -- se informem e participem do universo virtual. Somente assim será possível entender as oportunidades e desafios dessa extensão do mundo virtual cada vez mais habitado pelas novas gerações.
Não faltam alternativas para conhecer mais sobre o ciberespaço e saber como ele pode ser incorporado de forma responsável à vida das crianças. A ONG que defende os direitos humanos na internet, citada no início deste texto, tem uma cartilha que explica conceitos básicos da web, além de dicas de segurança para diferentes grupos de internautas. A navegação com foco nas nos pequenos também tem espaço no site Navegue Protegido, em um guia da Microsoft e na página do Movimento Internet Segura, entre outras opções.
Bate-papo
O pacote da participação também inclui conversas familiares sobre a web (justamente aquele assunto que, segundo o estudo da Symantec, está tão difícil de ser abordado).
Nessa hora, os especialistas ouvidos são unânimes: o tema tem de ser tratado às claras, abordando os aspectos positivos e também os negativos do ciberespaço. É, sim, para falar de sites e programas legais. E também é importante deixar claro a existência de pessoas com intenções ruins, que parecem boas na tela do computador – somente desta forma, a criança terá informações para procurar seus pais, casos suspeitem de comportamentos, textos e até imagens divulgadas por desconhecidos.
Outra unanimidade é em relação à criação de uma rotina e de regras para o uso do computador. Com isso, a hora de usar o PC, com tempo pré-estabelecido e combinado entre as partes, soma-se à hora do banho, à hora de comer, à hora da lição, à hora de dormir e à hora de brincar. “Para a criança, o computador é uma forma de lazer, como a televisão e o videogame. Por isso, seu uso deve estar sempre atrelado ao cumprimento das obrigações”, ensina Andrea, da PUC-SP.
Para facilitar a criação e cumprimento das regras, a Safernet dá dicas sobre como pais e filhos podem elaborar, conjuntamente, um acordo sobre o uso seguro e saudável do ambiente virtual.
A psicóloga acredita ainda que, com a popularização dos netbooks (notebooks de dimensões e capacidades reduzidas), os computadores se tornarão cada vez mais “brincadeira de criança”. Mesmo com a adoção dos portáteis, ela defende que até os 12 anos não existe a necessidade de os internautas transportarem seus computadores para fora de casa, ambiente onde podem ser monitorados constantemente por seus responsáveis.
Fonte: Portal G1
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